
Foi como se eu estivesse saindo de férias. O dia brilhava como um sorriso juvenil e o ar que corria no vento entre meus cabelos deslizavam em meu rosto e entre os dedos da mão como água de chuva de verão, traziam paz e faziam cócegas no ânimo.
Arrumei minhas coisas às pressas, a vida apitava como um trem anunciando a partida. Tive que ser sucinto, breve e levar para a viagem apenas o necessário, pois não havia tempo.
Dobrei meu entusiasmo (pois era grande) e pus na mala, a euforia foi amarrotada mesmo, o bom humor transbordava pelos cantos da mala, a consciência faria um pouco de peso então levei uma parte dela, a saudade de tempos bons levei comigo na cintura, amarrada na alça da calça jeans.
Quanto a arrependimentos, levei alguns, não por não querer levar todos, mas levei os que realmente ainda continuavam a me lembrar do quanto amadureci.
AGORA: remorso, tristeza, rancores, lembranças de antigos amores. Estes todos, deixei de fora. Não havia mais espaço, até por que jurei levar o que era útil.
Na verdade, ainda havia espaço para o supérfulo, mas reservei para colocar minha perspicácia na bagagem, quem sabe assim encontro alguém interessante e no final da viagem além de uma lembrancinha da cidade eu não traga só um flerte, mas um novo coração.