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segunda-feira, 10 de março de 2025

Tempos


Hoje tropecei em suas fotos...nossas fotos.

Senti aquela nossa sinergia, prometi a mim mesmo que só olharia aquela que esbarrei por acidente. E depois disso, revirei todos os álbuns tal qual faz um quebrador de promessas.

Mergulhei num oceano de sentimentos, cada álbum de cada momento que registramos, dos grandes eventos aos dias mais simples e cheios de uma energia que só a juventude ousada e um tanto ingênua permite.

Sorri sozinho, me senti por vezes abraçado de novo, relembrei o começo e o fim de tudo, recordei detalhes esquecidos, quase chorei e fiz força para esconder de mim mesmo meus olhos marejados.

E assim como mergulhei, senti voltar meu ar ao retornar da superfície e me dar conta que eu sigo no presente moldando futuros. Feliz como estou, mas com o sentimento de quem tem ainda algo pendente a resolver...nem que fosse mais um olhar, uma conversa, mais um carinho. Sinto que a última vez que te vi, foi tão curto, efêmero, injusto, mesmo que intenso (talvez só para mim).

E por fim, uma dor no peito passou a me incomodar, é como se eu tivesse acabado de quase me acidentar, e uma adrenalina e medo me envolvessem a ponto de me deixar nervoso. É estranho depois de tanto tempo. De tantas vidas, de tanto na vida. Sei que está feliz, eu também estou. Mas sabe... é como se eu tivesse ainda que confirmar de fato.

A nostalgia por si só já dói, mas a nostalgia de uma paixão é cruel, pois a gente revive não só boas memórias, mas os sentimentos da época com suas devidas frustrações e inseguranças.

Mas é interessante ver que tudo manteve seu curso, que tudo que imaginávamos não ocorreu como prevíamos, mas quem sabe foi melhor assim. A vida reescreveu o roteiro.

Nós conseguimos tudo o que planejamos, mas cada um no seu tempo e no seu canto.


segunda-feira, 17 de maio de 2021

Do que ficou

     Aprendi a ver a beleza de uma vida monocromática

foram tantos mergulhos profundos por dias sem fim

aprendi a seguir correntezas e a retornar pra dentro de mim


     Apreciava as estrelas que contavam histórias de um outro eu que perdi

segui em frente, mas os caminhos me trouxeram novamente aqui


     Então uma luz acendeu, na minha sala escura

ouvi teus passos

senti você sorrindo, trazendo o sol que eu não pude mais ver

eu jurei nunca mais sentir tudo de novo

eu nunca curei as feridas das músicas que cantei

do meu farol eu vi você aprender a viver sem mim

te vi feliz, trilhando tudo que planejamos

e nunca me perdoei por eu não ter ficado ao teu lado

eu iria conseguir, mas eu precisava de um tempo que ironicamente, foi mais do que eu precisava.


     Sei que você viveu, dançou, sorriu,

cantava canções de ninar e esperava alguém chegar no fim do dia

E poderia ser eu, eu queria que fosse.


     Mas eu aprendi a lutar por mim, seguir, viver

e agora você reaparece, depois dos montes que escalei

das lágrimas pesadas caídas do meu olhar e passos lentos pelas ruas


     Você prepara um jantar que e eu ainda sonho em chegar

cansado, com saudade e te beijar antes de um gole de vinho

eu ainda queria ser esse cara, mas a vida não parou

sei que ainda somos nós, em algum lugar lá atrás, ainda somos nós ( talvez nem tanto),

mas eu não posso pensar nesse caminho


     Ainda lembro as tuas cores

da estrada e a minha fé

dos poemas com aroma de café

você sabe bem tudo que senti, e o quanto eu nos quis de volta.


     Porém, o passado não recebe atualizações, e hoje somos outras pessoas. E talvez do que lembramos, não tenha ficado...nem o mesmo gosto de um café passado.




quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Entre caixas e gavetas

De tempos em tempos a gente precisa fazer arrumações nas peças da casa. Revitalizamos espaços, abrimos gavetas, reorganizamos roupeiros e abrimos uma caixa ou outra de velhas recordações, acessórios fora de moda ou aparelhos obsoletos de alguma década distante.

Cada lembrança traz sorrisos que se desenham vagarosamente no canto da boca feito o sabor de café da manhã na casa dos avós durante as longínquas férias escolares.

Por outras vezes, vem igualmente o lamento de uma saudade. De pessoas, lugares, momentos, das muitas perspectivas e dúvidas. Coisas que ao bater o olhar, traz a lástima de como tudo era tão simples ou óbvio.

Um redemoinho de sensações que nos fazem suspirar, e relembrar pensamentos como "e eu achava que isso daria certo", "se eu tivesse tentado mais...", "isso teria mudado todo o curso de minha vida", "se eu pudesse viver isso exatamente igual certamente assim faria novamente".

Hoje me veio você. 

Hoje vieram momentos infindáveis, sensações incrivelmente únicas, um olhar íntimo infinito que mirava cada alma em nosso abraço. No suspiro, na respiração, na falta de fôlego. Na ânsia da saudade amarrada na espera ao próximo encontro, no desespero ao lembrar como tudo foi sendo escrito até o ponto final. E entender na visão panorâmica do agora, que tudo levava a saída, não na melhor delas, mas a um final.

Que tantas outras coisas eu poderia ter feito diferente, repensado, agido de forma antecipada, ou evitar determinadas situações. Os anos passam e a máxima que diz que "o tempo é o senhor da razão" fica cada vez mais incontestável.

Algumas borboletas ainda voam no meu estômago, assim como as canções que compus, ou as nossas músicas numa coletânea, o vocabulário próprio que tínhamos, as linhas dos meus poemas rascunhadas num caderno qualquer.

Se recordar é viver, eu viajei pra perto de tudo que me fez vivo, e em alguns minutos sem fim, senti arrepios, sabores, fragrâncias e sensações que me deram as motivações, as lágrimas, as gargalhadas, os sorrisos ou decepções em frações de segundos.

E tudo, tudo se esvai, ao fechar a tampa da última caixa, da última gaveta, do último armário.

Tudo segue organizado. Inclusive...minhas memórias.

domingo, 13 de agosto de 2017

O abraço de Domingo

Hoje, eu não acordei saindo do meu quarto de chinelos pra te abraçar no teu quarto pela manhã.


Sinceramente. Não sei por onde começar ou o que dizer exatamente.

Só sei que hoje me sinto estranho, sinto como se eu fosse aquele jogo de quebra-cabeça o qual perdi uma pecinha pela casa que nunca mais vou encontrar e ficar com o jogo incompleto.


É possível perder tanto? É. Infelizmente é.

2012 (avô/pai), 2014 (tio/pai/irmão)...e esse ano de 2017 (meu pai e amigão).

Em contra partida, o que me deu forças foram os anos de 2013 e 2015.


Ah, pai.

Chego a desconfiar de ter aprendido a ser forte contigo, afinal, o dia dos pais de hoje sem você, está sendo duro demais. Me desculpe pelas lágrimas.


Hoje, eu não acordei saindo do meu quarto de chinelos pra te abraçar no teu quarto pela manhã. Junto com minha irmã pulando na cama pra te tirar a preguiça, bagunçar tua cama e ir conosco pra sala começar o Domingo do dia dos pais. Hoje eu não cheguei na tua casa pro churrasco que tu já estava preparando quando eu chegava.


Degustava uma dose de Whisky com coca-cola, apesar dele não ser um apreciador de bebidas alcoólicas em geral,  mas apreciava para aliviar o cansaço da semana de trabalho e relaxar. Ouvindo aquelas estações de rádio que eu dizia ser "coisa brega" ou "música de velho".


 Ainda não sei pra quem telefonar pra avisar que o jogo do nosso Colorado vai passar na TV, comentando a grande vitória ou reclamando da derrota inacreditável.

Ainda não sei chegar em tua casa e ver somente a mãe. Que traz no olhar que me vê ao chegar, o mesmo que eu tenho quando não te vejo para me receber.


Há dias que eu sorrio lembrando de ti, de nós, nossa família. Mas tem dias que eu só gostaria de poder discutir um pouco mais contigo, reclamar, brigar e depois sentar do teu lado e voltar a conversar aos poucos, disfarçadamente. E sentindo ao final que tudo estava bem como sempre ficava. E pedir desculpas depois que a poeira baixava. Ou nem isso, pois nos entendíamos e nos desculpávamos pelo olhar de quem segurava o sorriso com o canto da boca.


Meu coração me deu garantias para dias como hoje, ao menos isso me conforta, foi um excelente pai, um avô incrível, um grande exemplo, amigo, parceiro. Um ótimo chefe de família e o melhor companheiro de minha mãe mesmo com todos os percalços que um casal pode ter.


Te elogiei, te xinguei, te pedi desculpas, te pedi perdão. Te abracei cada vez mais no nossa luta até o fim. Te disse "eu te amo" inúmeras vezes. Nunca te deixei perder as esperanças e fiquei do teu lado o quanto pude. Fui teu filho, amigo e também um pai do pai no fim de tudo. Isso me atenua um pouco a dor, pois eu fiz por ti, o que espero de minhas filhas na minha velhice.


Te amamos, oramos por ti e esperamos que fique bem onde estiver. Assim como te repeti incontáveis vezes na nossa luta: "Nós vamos conseguir, pai, de um jeito ou de outro." E de certa forma, nós conseguimos.


Hoje, vivo por ti. Hoje, eu continuo pelas minhas filhas.


Hoje, eu não acordei saindo do meu quarto de chinelos pra te abraçar no teu quarto pela manhã, pai...mas as minhas filhas vieram me acordar.



segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Que bom sofrer disso

Coisas de quem sofre de constantes epifanias.

Quando cheguei, o navio já havia partido
Quando calei, as palavras já planavam com o vento
E é irônico ter percebido ao olhar pra dentro
que nossos caminhos se cruzam em meus pensamentos

embora pareça claro, linhas paralelas talvez não se encontrem no infinito
E se a realidade é dura, ao menos na imaginação seria muito mais do que bonito.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Surpresas

Hoje o eco do vazio foi interrompido.
Estancado num aplauso único e uníssono, apesar da distância, foi bom te rever no meu horizonte.
Ainda que longínquo.

Mas havemos de concordar...essa é a beleza das estrelas.


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Um segundo atrás

Não importa quanto tempo se passe. As lembranças vão permanecer muito vivas como se fosse a um segundo atrás.

Aprendi que nessa vida de altos e baixo, levamos apenas momentos, e cabe a nós fazer o melhor com eles.

Sérgio Ojeda, meu tio querido, viveu intensamente diferentes fases de sua vida como faria qualquer pessoa apaixonada pelos amigos, família e as simplicidades do cotidiano e do aconchego do lar.

Redescobri meu tio quando cheguei na casa dos vinte anos, e desde então foi mais que um tio, foi um irmão mais velho, e por vezes também fez o papel do caçula, tornou-se um dos meus melhores amigos. Também foi e continuará sendo um dos padrinhos da minha primogênita. Meu compadre.

Era um cara brincalhão e de bom humor em sua totalidade, mas também tinha seus dias de mau humor obviamente. Era cabeça dura, precisava do tempo dele pra assimilar as coisas, mas entendia ao seu modo e ao fim colaborava.

Bom vizinho, bom cidadão, disposto sempre a ajudar no que estava ao seu alcance.

Adorava festas, amava seus filhos, pais e irmãos, tios, sobrinhos, afilhada, sobrinhos netos, primos e os amigos. Vivia um dia após o outro, alguns entendiam isso por falta de ambição, ele encarava isso por intensidade de vida. A vida estaria lá, então o melhor seria viver tudo hoje, e amanhã que se repetisse.

Irmão agitador, tio da bagunça nas festas da família. Sempre brincando, fazendo piada em voz alta seguida de gargalhadas ensurdecedoras e sempre feliz em família.

Foi bom pai, carinhoso e atencioso até onde a vida permitiu devido às distâncias geográficas, destemperamentos e falta de traquejos.

Predominou a imagem de um cara que colecionava amizades, assim como seu pai, meu avô, quem faleceu a recentes dois anos antes.

A família diminui por aqui, e aumenta no céu. Mas tenho certeza que ele não gostaria que sofrêssemos tanto, tenho certeza que estará bem, e muito vivo em cada um de nós.

Que outras pessoas amadas da família que se foram, te recebam de braços e corações abertos, para preencher com amor a tua ida, assim como deixaste as nossas vidas.


Te amamos, tio!















quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Opini...Não

Estive pensando em conceitos. Deparei-me com vaidades, princípios, moralismos, éticas e analistas amadores e profissionais.

Não importa tua cor, tua sexualidade, classe social, partido político, religião.

O que importa é o respeito.

Ainda que eu não te ofenda propriamente, sei que não estou livre de ofender indiretamente. Como assim?

A sociedade te cobra postura, e uma série de adjetivos que citei acima e todas as demais existentes.
Se te posicionar contra alguém ou a alguma causa, tu és condenado. Se te omitires, serás apedrejado. Mas há ainda algo que não se discute mais como se não houvesse importância: opinião.

A minha opinião pode, ou não, divergir da tua, da dele, da dela, da deles... enfim. Acredito que desde que não ofendamos o próximo, apenas tendo cuidado ao nos pronunciarmos sobre qualquer questão, ainda está faltando à sociedade saber ouvir a opinião alheia. Ninguém é obrigado a concordar pra ficar "bonito" ou ser aceito.

"Gosto de maçãs e não gosto de peras!"
"Concordo!"
"Discordo!''

Fim de papo.

Temos o direito de ter opinião. Tá faltando respeito às pessoas e aos movimentos e causas. Mas também não podemos ignorar o pensamento de cada um, repito, desde que não ofenda.

Está faltando respeitar a opinião alheia mesmo que não nos agradem.

Falta ouvir apenas. Com elegância diplomática.

terça-feira, 11 de março de 2014

Reencontros possíveis

O que digo hoje é tão óbvio mas às vezes não nos damos conta.

Despedidas são dolorosas, misturam felicidades, pesares, desejos de boa sorte, incertezas, decepções de imprevistos e tristezas definitivas.
Sofremos por uma despedida final. Sem volta, sem chance de retorno ou um reencontro casual desacertado.
E nessas horas só nos resta o alento das boas memórias, dos maravilhosos momentos e ensinamentos pela experiência do convívio.

Mas há também a despedida que na sua incerteza, carrega nela a certeza do reencontro, e partir de onde se parou antes. Sair da pausa do tempo que nunca parou.

O melhor que temos é aprender com despedidas finitas e esperar que as infinitas sejam de fato apenas uma fase a cumprir.

Um dia a gente se encontra, um dia, as despedidas serão apenas lembranças ao lado de quem nunca quisemos que fosse embora.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

À sombra da tua maquiagem

Encerro aqui e não vou te mentir,
quis sim tudo aquilo pra mim:
teus olhares, teus sorrisos, teu meio, teu começo, teu fim.

E cá entre nós, lutar contra o tempo
é tentar enxergar no meio-dia de um verão,
com o primeiro abrir de olhos de um sono profundo
arquitetado pela ressaca de um carnaval, detalhes do sol a olho nu.

A maquiagem que tu tens, faz sombra ao teu sorriso
que rasgava sem graça mas feliz por me ver.
Agora serve de máscara pro teu silêncio apático
na ansiedade de me esquecer sem nunca mais precisar me ver

Eu quis, quero, mas quis. Me diz você.
Sabe bem que te sinto ainda?
Te quero não só a tua madrugada toda pra mim, mas o teu dia inteiro.


O teu perfume ainda está no meu travesseiro.



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

E agora, Zé?

E agora, Zé?
A festa acabou mesmo,
mas há uma nova luz,
saí do meio do povo,
a noite pra mim congelou,

e agora, Zé?
e agora, meu camarada?

você que me avisou,
que as coisas iriam mudar,
você que também faz versos,
já sabia do meu atual protesto,
e agora, Zé?

Falou da mulher,
e de um novo curso,
o carinho muda,
mas o amor não morre,
não beba pois tem um bebê,
pare de fumar,
cuide as boas maneiras,
controle o sorriso amarelo,
nada é utópico, nada acabou,
não fuja,
suas ideias não podem mofar,
mas e agora, Zé?

O amor se transforma,
o individual não é mais agora,
Zé, e agora?

Não adianta gritar,
nem dormir sem querer sonhar,
você pode até cansar,
mas a vida tem muito pra mostrar
você aprende, Zé!

Antes esteve sozinho no escuro,
agora abraçado no sorriso mais lindo,
sua vida galopa voraz com mais de um coração,
você marcha, Zé!
Zé, pra onde?

Para o amadurecimento.



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Novas rotinas

Toda rotina quando se quebra gera uma nova fase, um recomeço, uma nova chance.
A saudade aperta, mas sabemos que é da vida.
Não podemos nos acomodar, precisamos sempre ser desafiados,
testar nossa capacidade e conquistar mais de tudo.

O recomeço é bom, revigora a alma e a esperança.
Mas a saudade do que passou, do que acabou, pode criar um medo.

O receio só não pode ser maior do que a vontade de seguir em frente.

Novidade, saudade.
Coragem, receio.
Passado, futuro.
Desafio, vida.

É a vida.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dilema na maçaneta

Há uma porta diante de mim.

Nela tem o meu nome escrito.

Do outro lado, posso enterrar fantasmas,
esquecer algum passado desastroso e mirar nas possibilidades
da oportunidade que se abre num véu.
Que venham os desafios e que venham novas lembranças. E que se vá você.

Parece que você não se guia mais por mim
e nem me entrega um sorriso infantil.
Hora de parar de pedalar.
É hora de recomeçar e descobrir o novo do lado de lá.

É hora de abrir a porta.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Idas e idas

Toda viagem empolga.
A planejada, a de improviso

A solitária, a com os amigos
a viagem que nos leva pra conhecer lugares e pessoas
e aquela que nos leva pra longe de outras pessoas ou dos mesmos lugares.

A partida dá um frio na espinha, enquanto a volta às vezes nos tira o fôlego.
Ou vice-versa.

O percurso encanta. As descobertas abrem portas e janelas em nós.
A sensação de não ter realizado ou visitado tudo o que se podia.
A sensação do dever cumprido e do montante que ficará por fazer.

Foi perfeito como o caos pode ser em sua poesia.
Mas também pôde ser incompleto nas pinceladas de um pintor apressado.
Faltaram dias, momentos, detalhes, frações de segundos.
Principalmente... faltou vida pra dar tempo de tanto tempo com pouca vida.

Às vezes, a viagem tem um ótimo motivo que nos faz querer não voltar para casa,
assim como há também às vezes, os motivos que nos obrigam a voltar.

Toda viagem de partida leva na mala a ansiedade.
E toda viagem de retorno, traz a vontade de matar a saudade.
Toda viagem cria expectativas e esperanças.

Mas toda viagem sem companhia, uma hora cansa.



domingo, 4 de agosto de 2013

Despedida porta a dentro

Não fazia nem um segundo que ela havia parado na porta,
olhou pra trás meio insegura, mas já tinha decidido seguir em frente
a imagem dela se distanciando de mim quase me derrubou
ela mergulhava no novo e talvez até pensasse não precisar mais de mim

meus joelhos trepidaram, meus olhos marejados diziam muito
mas era hora de calar
suspirei e tentei um último aceno

ela sorriu, caminhou em passos desconfiados
e assim ia desaparecendo da minha visão
foi quando não pude suportar
e assim pedi mais um abraço

me ajoelhei e disse a ela que tudo ia dar certo
e que eu precisava ir embora e ela seguir agora sozinha
foi quando ela me olhou nos olhos e num sorriso meigo sussurrou em meus ouvidos:

- Vai logo, assim você vai me envergonhar na frente dos meus colegas, pai.

É. Foi o "meu" primeiro dia de aula.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Bobagens

Todas as noites eu penso que dormir cedo é bobagem. Mas quando acordo cedo pra trabalhar, penso que dormir tarde... é uma grande estupidez.

Boa noite a todos

(tarde mais uma vez)



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Prato vazio



Preparei na minha arte final
nas poucas receitas minhas
um prato especial
pensando na tua companhia

Os aromas disputavam olfatos
as taças de vinho foram posicionadas
o som preparava o nosso ambiente
mas na mesa, o vazio da gente.

Mastiguei minhas expectativas
e deixei minha decepção sobremesa
Às vezes o silêncio é companhia agradável e reflexiva.
Perdi a fome. O paladar muda.

Outros pratos, outras mesas, outros doces, outros sabores...

Não gosto muito de bolo, mas sempre ganho um. Assim acabo elevando glicoses de solidão.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Confissão ácida


Confesso que senti falta de tudo isso...
da tua voz trêmula distraída
no teu olhar atravessado aos meus olhos
e do teu corpo vibrando

feito o som da serenata solitária
tendo a lua como testemunha
percebendo entre teus lábios a tua verdade que me propunha
ser a minha verdade enquanto respiro tua respiração

Se nos afastamos, é por que fui de convivência espinhosa
se te encantei com minha doçura, foi por que não fui de toda minha acidez

Se te feri ao me tocar em brusca busca de amor
foi pela amostra de dor que provei não ser assim açucarado

Te esperei pra mim aqui, mesmo sendo assim...um tanto abacaxi.


terça-feira, 2 de abril de 2013

Casa limpa

De uma hora pra outra, você varreu a casa
parecia tudo estar limpo, mas mesmo assim, varreu.

Há coisas na vida que muitas vezes não estão claras
e obviamente não entendemos.
Outras vezes claras demais que até desconfiamos
e aí, não dá pra entender.

Desconfiar, confiar e acreditar ou não.

Desconfio se tudo está certo demais.
Confio quando tudo também parece certo demais.

Acredito em suas palavras mesmo que isso possa me levar a uma queda.
E passo a não acreditar quando tudo se perde no ar.
Sem palavras, sem explicações e motivos. Sem considerações e sem chances de réplicas.

Confiei quando não podia, desconfiei quando talvez não fosse necessário.
Acreditei demais na confiança.

E de súbito, a casa que estava limpa, foi varrida.
Não houve poeira para levar, não havia sujeira, mas nossas lembranças e suas palavras se perderam.
Sem poeira, sem sujeiras ou manchas.
E assim como antes, após a varrida, não existe nada. E quem sabe, nunca houve.

E hoje, eu sei que tudo ficou limpo e claro pra mim.




quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Pequenos vagões

Toda vez que escrevo um poema ou pensamento
fico imaginando a tua reação, e em que partes de você o poema ficará guardado.
Não sei se no mesmo lugar onde te guardei,
mas espero que fique a salvo.

Enquanto eu arrumava minhas malas pra partir contigo,
o vapor da locomotiva expelia uma pressa que eu não percebia.
Nas minhas passadas otimistas e despreocupadas, despreocupei-me do horário,
e o que eu não entendia, é que outras estações eram possíveis a cada dia.

Quando vi os trilhos faiscarem...
Corri. Juro que corri. Mas eu estava longe ainda.
Me restou observar o horizonte diminuindo os vagões,
a caldeira esfriando em mim no balanço dos trilhos e no meu acenar.

Fiquei. Esperei.
E até que o apito do trem volte a soar ao longe se aproximando,
aguardo com minhas malas e o ticket na mão.
Mesmo atrasado e sozinho, meu destino deixou espaço no banco ao lado.