Toda vez que escrevo um poema ou pensamento
fico imaginando a tua reação, e em que partes de você o poema ficará guardado.
Não sei se no mesmo lugar onde te guardei,
mas espero que fique a salvo.
Enquanto eu arrumava minhas malas pra partir contigo,
o vapor da locomotiva expelia uma pressa que eu não percebia.
Nas minhas passadas otimistas e despreocupadas, despreocupei-me do horário,
e o que eu não entendia, é que outras estações eram possíveis a cada dia.
Quando vi os trilhos faiscarem...
Corri. Juro que corri. Mas eu estava longe ainda.
Me restou observar o horizonte diminuindo os vagões,
a caldeira esfriando em mim no balanço dos trilhos e no meu acenar.
Fiquei. Esperei.
E até que o apito do trem volte a soar ao longe se aproximando,
aguardo com minhas malas e o ticket na mão.
Mesmo atrasado e sozinho, meu destino deixou espaço no banco ao lado.

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