quarta-feira, 29 de abril de 2009

Férias


Foi como se eu estivesse saindo de férias. O dia brilhava como um sorriso juvenil e o ar que corria no vento entre meus cabelos deslizavam em meu rosto e entre os dedos da mão como água de chuva de verão, traziam paz e faziam cócegas no ânimo.

Arrumei minhas coisas às pressas, a vida apitava como um trem anunciando a partida. Tive que ser sucinto, breve e levar para a viagem apenas o necessário, pois não havia tempo.

Dobrei meu entusiasmo (pois era grande) e pus na mala, a euforia foi amarrotada mesmo, o bom humor transbordava pelos cantos da mala, a consciência faria um pouco de peso então levei uma parte dela, a saudade de tempos bons levei comigo na cintura, amarrada na alça da calça jeans.

Quanto a arrependimentos, levei alguns, não por não querer levar todos, mas levei os que realmente ainda continuavam a me lembrar do quanto amadureci.

AGORA: remorso, tristeza, rancores, lembranças de antigos amores. Estes todos, deixei de fora. Não havia mais espaço, até por que jurei levar o que era útil.

Na verdade, ainda havia espaço para o supérfulo, mas reservei para colocar minha perspicácia na bagagem, quem sabe assim encontro alguém interessante e no final da viagem além de uma lembrancinha da cidade eu não traga só um flerte, mas um novo coração.

sábado, 14 de março de 2009

Quando o sol renasce
















Quando o dia termina depois de tamanha beleza contemplada e encerra um ciclo, a gente fica triste, o futuro é incerto. Amanhã chove? Continua nublado?

Não conseguia dormir com o mesmo descanso, esperava sempre pelo mesmo dia lindo quando testemunhei um fim de tarde onde o sol acenava e dava lugar à minha escuridão quando a sombra cobriu meus desejos.

E mesmo dormindo depois de horas acordado triste e desapontado por perder o que eu mais contemplava, caí no sono da exaustão criada na esperança perdida.

Um novo dia nasceu, e um sorriso novo surgiu em minha vida. O ar parecia mais puro, o barulho das ruas passou a ser sonoro, música. E o que antes me deixava inseguro hoje me faz rir à toa.

O pôr-do-sol é muito bonito, mas quando o sol renasce...ah, não há comparação.

Bom dia, coração!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Espaço, deserto, mar

Como se fosse um astronauta sem capacete no espaço, grito em vão, grito ao infinito. Pois o som não se propaga no vácuo e ainda assim eu sempre insisti. Por que eu insisto? Insisto como um marinheiro de primeira viagem na esperança de reencontar o caminho de volta, talvez o caminho para SE reencontrar, fazendo sinais de uma pequena lanterna e na tola esperança de que, se houver um farol apagado, que ele veja e dê sinal de volta. Impossível.


É estúpido, eu sei, mas depois de tanto tempo no meio do nada e sem saber para onde ir ou saber onde parou, o SILÊNCIO se torna um companheiro traiçoeiro, e aliado ao NADA, temos alucinações, enxergamos miragens, criamos esperanças infundadas e absurdas e depositamos nossa fé numa miragem de oásis no calor do nosso peito. E se perguntando: "Onde existe água? ainda há água?"



Não me importaria ao menos UMA miserável vez ser procurado por resgate dessa minha vida insípida e sem aventuras que perdi. Sei lá, ainda espero o sinal do farol, o piscar de alguma estrela, luz de velas ou até o reflexo da água num poço abandonado...mas algo que possa me fazer entender que nem tudo está perdido.

Me procure, me encontre, pois por mais que eu pareça não me importar, ainda vivo dias que se foram. Me busque, me tenha, sei que você consegue, sei que me acharia, pois eu sei, que EU, encontraria você onde fosse.


Por favor, farol. Ficar no escuro no meio do nada ouvindo dentro do silêncio o som da onda que passou me deixa à deriva. Por favor, Farol, ligue a sua luz em minha direção. E quem sabe eu volte a sua órbita.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Frases mal estruturadas


Às vezes penso que tudo que passou foi sublime demais para ter sido real, às vezes penso "você me amou como eu te amei?", e me torturo em vão pensando se você ainda pensa em mim, pois sei que você me deixou muito aquém da margem da sua vida.

Sim, fui infeliz em palavras e frases que te distanciaram de mim quando tínhamos chance de nos reencontrarmos dentro de tudo que fomos, e que por infantilidade talvez, eu ainda ache que "somos", que ainda "há água". Embora você tenha achado melhor pra você me apagar por completo e me evitar para um "pra sempre", o que deveria ser usado para outro fim, o de me amar.

Se eu não fosse vítima de meu próprio azar e frases mal estruturadas, teria te visto mais uma vez e quem sabe mais e mais gradualmente, mas ao contrário, numa simples inocência, fui o causador da minha maior dor...ter te afastado de mim quando finalmente poderíamos ter encaminhado um final feliz.

Ainda não me perdôo. Se falei demais e pago meus pecados por culpa da minha maldita boca, hoje me resta caminhar em silêncio dentro de mim, vagando no melhor que pude guardar de você...as lembranças.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Fim de espetáculo



Ah, se eu pudesse ver seus olhos de perto e sentir você ofegante,
ao me ver aproximar de teus lábios,
enredar minha respiração entre seus cabelos
me embriagar de tudo que nos faz ser únicos.

Esquecer do mundo e dos dias de saudade, incertezas e solidão
Saber que protagonizamos um romance inegualável
Tendo a distância como vilão
mas o palco como coração

Ah, se você pudesse ser eu,
assim compreenderia por que te desejo tanto
e por que faço tudo que fiz e faço pra ter você do meu lado

Tentar voltar a: Ter você ou não ter, eis minha maior questão.

Só quero lembrar como você surgiu na minha vida, mas esquecer por que na nossa história se fecharam as cortinas.