quinta-feira, 23 de maio de 2013

Prato vazio



Preparei na minha arte final
nas poucas receitas minhas
um prato especial
pensando na tua companhia

Os aromas disputavam olfatos
as taças de vinho foram posicionadas
o som preparava o nosso ambiente
mas na mesa, o vazio da gente.

Mastiguei minhas expectativas
e deixei minha decepção sobremesa
Às vezes o silêncio é companhia agradável e reflexiva.
Perdi a fome. O paladar muda.

Outros pratos, outras mesas, outros doces, outros sabores...

Não gosto muito de bolo, mas sempre ganho um. Assim acabo elevando glicoses de solidão.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Confissão ácida


Confesso que senti falta de tudo isso...
da tua voz trêmula distraída
no teu olhar atravessado aos meus olhos
e do teu corpo vibrando

feito o som da serenata solitária
tendo a lua como testemunha
percebendo entre teus lábios a tua verdade que me propunha
ser a minha verdade enquanto respiro tua respiração

Se nos afastamos, é por que fui de convivência espinhosa
se te encantei com minha doçura, foi por que não fui de toda minha acidez

Se te feri ao me tocar em brusca busca de amor
foi pela amostra de dor que provei não ser assim açucarado

Te esperei pra mim aqui, mesmo sendo assim...um tanto abacaxi.


terça-feira, 2 de abril de 2013

Casa limpa

De uma hora pra outra, você varreu a casa
parecia tudo estar limpo, mas mesmo assim, varreu.

Há coisas na vida que muitas vezes não estão claras
e obviamente não entendemos.
Outras vezes claras demais que até desconfiamos
e aí, não dá pra entender.

Desconfiar, confiar e acreditar ou não.

Desconfio se tudo está certo demais.
Confio quando tudo também parece certo demais.

Acredito em suas palavras mesmo que isso possa me levar a uma queda.
E passo a não acreditar quando tudo se perde no ar.
Sem palavras, sem explicações e motivos. Sem considerações e sem chances de réplicas.

Confiei quando não podia, desconfiei quando talvez não fosse necessário.
Acreditei demais na confiança.

E de súbito, a casa que estava limpa, foi varrida.
Não houve poeira para levar, não havia sujeira, mas nossas lembranças e suas palavras se perderam.
Sem poeira, sem sujeiras ou manchas.
E assim como antes, após a varrida, não existe nada. E quem sabe, nunca houve.

E hoje, eu sei que tudo ficou limpo e claro pra mim.




sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Chove-não-molha

Quase temporal, chuva forte
chuva
chuva fraca
chuva fina
garoa
pingos
garoa
chuva
chuva e sol
sol
mormaço
chuva
chuva-sol
sol-chuva
chuva
shuva
shol...

...finalmente...Sol!


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Pequenos vagões

Toda vez que escrevo um poema ou pensamento
fico imaginando a tua reação, e em que partes de você o poema ficará guardado.
Não sei se no mesmo lugar onde te guardei,
mas espero que fique a salvo.

Enquanto eu arrumava minhas malas pra partir contigo,
o vapor da locomotiva expelia uma pressa que eu não percebia.
Nas minhas passadas otimistas e despreocupadas, despreocupei-me do horário,
e o que eu não entendia, é que outras estações eram possíveis a cada dia.

Quando vi os trilhos faiscarem...
Corri. Juro que corri. Mas eu estava longe ainda.
Me restou observar o horizonte diminuindo os vagões,
a caldeira esfriando em mim no balanço dos trilhos e no meu acenar.

Fiquei. Esperei.
E até que o apito do trem volte a soar ao longe se aproximando,
aguardo com minhas malas e o ticket na mão.
Mesmo atrasado e sozinho, meu destino deixou espaço no banco ao lado.